Não é a arte de scarpeta
nem o dom da vespa - que voa,
que me leva a sonhar.
Se meu temperamento é controlado
não o sei
e jamais quis pretender
ser virgem ou mártir.
Sou guerreiro mas não balaio;
cruzei muitos rios
- o "das flores" é belíssimo!...
Fiz e vivi muitas histórias
da sexualidade, da vontade de saber,
de contemplar o voo da àguia
e até ouvi o "brado de halidon".
Andei, confesso, no limite do perigo
e se senti medo, não percebi
(ou será que percebi?).
Certo, porém, é que sempre tive
um anjo na escuridão
a olhar por meus caminhos
noite e dia, dia e noite...
em todo o tempo.
A vida é assim: ninguém vê
seja de um homem feito
de um menino ou
de um adolescente
comum ou diferente.
Não sei de joias - nem as de Teresa
e jamais invejei riquezas do quilombo.
Pobre, nada herdei
nem mesmo as riquezas de Estrasburgo.
Embarquei - que alegria,
com o velho, e fomos ao mar
e apenas um peixe se fez fisgar.
Muitas angústias além do horizonte,
bem sei;
mas de aventuras tantas.
Assim é a vida, vale repetir,
que ninguém vê.
Vida que faz alguém ser e viver.
(Poema baseado em título e e/ou enredo de 32 livros lidos no ano de 2022).
Zeval, professor/historiador, set., 2023.




