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sexta-feira, 12 de junho de 2020

Mutilamento

Estamos, todos, mutilados;
braços e penas perfeitos,
nosso tato, também;
mas não sorrimos mais.
Melhor, nosso riso é mascarado!
quando sorrimos por trás da máscara
ninguém o vê...
nossas alegrias e felicidades
se manifestam sem expressão,
sem doçura; não há sentido.
E que dizer dos abraços que se foram,
e dos "olá!, tudo bem?"
que deixaram de ser parte de nós;
nem um aperto de mão sabemos dá..
cotovelos a se tocarem,
mãos fechadas se batendo
em cumprimentos insalubres
o quê nos aconteceu?
Fomos mutilados nas atitudes
mais primárias...
somos, porém, no íntimo,
seres apaixonados;
apaixonados pela vontade
de viver,
pelo costume do riso farto,
pela a alegria do abraço,
pela constância do outro
ao nosso derredor.
Retidos pelas circunstâncias
continuamos humanos
cientes e crentes que dias melhores
estão prestes a chegar
e essa ausência que atormenta,
esse calor humano que tem faltado retornará mais forte, vivo,
fazendo-nos ser
o que sempre fomos:
seres dependentes do outro,
do próximo, do amigo,
do irmão...
Esperaremos;
não iremos desistir.

(Zevall, jun./2020)


quinta-feira, 23 de abril de 2020

Pandemia

Não ligo
a máscara incômoda
se embaça o óculos
ou me deixa mais feio
(se isso for possível);
Não ligo
a constância da troca
da lavagem das mãos
ou do alcool em gel
não ligo...
O viver é a premissa
mais tarde
abraçar os amigos
voltar a sorrir
exercer meu direito
de ir e vir.
Quero agradecer ao Pai
por ter permanecido
e ver o Sol nascer
outra vez
acordando com o gorjear
de pássaros alegres
e colher, no quintal
flores de bênçãos...
não ligo,
quero viver
o mais é só detalhe.

(Zevall, abr./2020)

DE AMIGOS E IRMÃOS

Benito de Paula, certa vez e através de uma de suas músicas,  se propôs a mostrar a um amigo ao qual ele prezava muito, alguns elementos –  ...