segunda-feira, 13 de outubro de 2025

EU, LOUCO

Sonhos loucos

solidões vazias 

lembranças confusas...

beijos cuspidos

sem sentimento 

ou nexo;

abraços frouxos

tresloucados

que machucam

e não estimulam;

palavras sem ternura

que não duram

e se perdem 

nos espaços.

O olhar para trás 

não se asoberta

se as certezas

nada foram;

não que seja vazio

o olhar

apenas não há 

o que se ver

no que ficou...

na imensidão 

do tempo sentido

onde o desamor

era causa e efeito

no que paixões lascivas 

expressas em toques

de membros obscenos 

que se aprofundam

(ou não),

não satisfaziam 

ou enganaram a um.

Promessas, muitas

todas sem olhar nos olhos

inocentes somente

para quem as ouvia

previstas

e enganos para um futuro. 

Promessas, tantas...

Promessas...

Sussurros arrepiantes

molhados

culminantes em êxtases 

solitários. 

Talvez os sonhos

não houvera tão loucos;

quem ousava

incitá-los,

certamente

vez que nada há de errado

em sonhar 

o erro provém do engano.

Sim, talvez não fossem 

tão loucos

mas (a minha) razão 

pervertida pelo amor

ou simplesmente 

pelo o que sonhou dele 

essa já não é...


(Zevall, "olhar para trás", out./25)

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