terça-feira, 16 de outubro de 2018

Nordestanças

O texto a seguir foi Produzido por Beatriz Mazzei, que começa trilhar os caminhos do jornalismo e, ao mesmo tempo, tem seu coração devotado, de um modo singular, à toda e qualquer referência ao nordestino, seja no âmbito do social, ou do econômico. Amar ao Nordeste e, por extensão, ao seu povo, para Beatriz Mazzei, como ela deixará claro no seu texto, além de prazer, é uma "questão de cultura". Vale a pena a leitura!!!



O Dia do Nordestino é comemorado anualmente hoje, dia 08 de outubro. Uma data em homenagem à diversidade cultural da região. E bota cultura nisso!
Para não elegê-lo, tem que ter muita cultura. Pra não ser escolarizado e fazer questão de colocar os filhos na faculdade. Pra ser imigrante e fazer do seu suor a nova cidade. Pra percorrer longas distâncias pra chegar ao colégio, lutar pra ter instrução. Pra resistir e existir, valorizando o que é local, em vez de consumir o que vem de fora e dizer que aquilo é cultural, cult, legal.
À todos que dizem que o povo nordestino é um povo sem cultura, lanço o desafio: então me explica que raio é cultura, pelo amor do Senhor! Porque lhes afirmo que nenhum povo desse país me ensinou mais sobre esse conceito do que o povo nordestino, e, aqui, eu falo “povo” com a boca cheia. Não é “povo” como você diz, pra designar àquelas pessoas que prefere evitar. Eu falo povo no conjunto, na unidade. “Povo” de gente que chama a casa de lar e o berço de “minha terra”, onde se planta e se colhe, onde se faz germinar em qualquer solo, por mais árido que seja.
Com o Nordeste eu aprendi as rimas da embolada, qual é o gosto de uma peixada e que rapadura é doce mas não é mole não. No Nordeste eu me encantei com o cordel, aprendi a olhar pra o céu e que não adianta pedir sem agradecer.
No Nordeste eu me banhei no rio, comi cuscuz com macaxeira e vi a bravura de Lampião logo ali, incorporada em todo o cidadão, mesmo sem peixeira. Oxe! Minha raiz é nordestina e faço questão de a regar! Parabéns aos nordestinos.

Texto de Beatriz Mazzei.
(Via WhatsApp)   

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Recordando (Pra que Mentir)

Pra que mentir
se já não somos os mesmos;
se as palavras soam vazias
se perdendo no vácuo deixado
pelos momentos que se foram 
e que não se repetem?
Somos agora
apenas distância e lembranças;
espaço desocupado
mesmo ante à proximidade
pois somos dependentes - quase como uma droga
um para o outro, viciados
à beira de um coma
induzido pela ausência de qualquer um
de nós...
Querer, querer e querer mais,
eis um forte apelo;
quando o coração se dilacera
e o abraço não chega,
e, nesse instante, o corpo desaquecido
anseia pelo o outro.
e se o ouvido já não ouve mais
aquilo que faz arrepiar - doce sussurro
que regenera
e me estremece quando me pedes
que ocupe os espaços do teu corpo
e te faça delirar...
Loucura, loucura!
trajeto de um desamor
que não é falta do amor que consome,
que faz rolar na cama
ao ouvir vozes imperativas a murmurar:
"vai buscar! traz a satisfação na forma fêmea
e deixa-a sempre ao teu lado;
com seus mi, mi, mis
e com todas as suas meninices
- já não sabes viver sem ela..."
Pra que mentir
se não ouves mais as canções que ouvias
e não tem interesse pelos luares
e o que dizer das coisas novas?
As portas do (teu) mundo de repente se fecham
e nada ou ninguém consegue chegar
nos teus lugares secretos e de prazer.
Vem, pois, a trazer o teu sorriso
que dá significados aos momentos
e gera calor que aquece
em noites frias ou qualquer das noites
e é razão de ser que tanto careço.
Não mentirei jamais, então
pretendendo-me capaz de ser
se nada consigo ser a não ser contigo.
E, sendo, sem ti
serei apenas mais um na imensidão
desse mundo dos que amam.
(Zevall, /set./2018)

sábado, 29 de setembro de 2018

Aula Extra

Hoje, das 14:00 às 16:00 trabalhei com um grupo pró-ENEM. Grupo pequeno - seis alunos - onde o tema da aula era Geopolítica e Capitalismo, temas da disciplina Geografia. Experiência nova mas muito significativa, a partir do momento em que foi um contato diferente, com alunos atentos e obsequiosos, interessados mesmos em assimilar o que estava sendo pautado no decorrer da aula.
Ao final, descobri que aprendi bastante. Aprendi que existem ainda pessoas que se voltam, por acreditarem, que estudar vale a pena. Para que se ratifique essa ideia, é necessário que se conheça o grupo em questão: um rapaz, uma moça e quatro senhoras mães de famílias que, em um sábado à tarde, abrem mãos de seus afazeres, quaisquer que sejam - cuidar da casa, da beleza, assistir à família ou simplesmente descansar - para sentarem-se durante duas aulas pra ouvir sobre nuances, pontos autos e baixos do sistema capitalista.
Aprendi que na qualidade de mediador, na convivência com esses alunos, pouco tenho feito em benefício de tantos quantos precisam se encontrar através do estudo; que posso fazer mais, bem mais e em toda e qualquer oportunidade que apareça. A tarde foi ganha!

sábado, 22 de setembro de 2018

Apenas solidão

Desconforta a solidão.
hão há paz, não há alegria,
não há nada.
solidão amorfa, indolor,
apavorante até...
não há certeza nos planos
quanto ao amanhã
ou melhor, não há amanhã;
ao menos em relação aos sentimento
que afligem meu ser.
não há um beijo
ou um abraço
nem a espera de que, de repente
alguém querido se achegue.
Ou há, talvez,
tênue esperança de que ali
próximo ou além do horizonte
o chamamento do coração solitário
mova e como outro coração;
este, solidário, a partilhar 
triste momento só,
desamorado, distante de apegos
de uma paixão a não existir;
a desabrochar em outros rumos
que não os meus - quiçá os teus.
mesmo assim, há, pois, se bem penso,
amor na solidão
e esse amor é chama que se alimenta
a queimar enlevo por um alguém ausente
- expectativa justificada
por palpitares ante a um olhar; 
num sorriso monalístico que se traduz em espera
de roçares corporais adiados;
de beijos lascivos apenas imaginados.
Esperança sempre adiada e a machucar...
solidão, solidão! (...)
do umbral da janela
certo olhar revela a lua dos apaixonados
característica de amantes 
que nunca estão sós.
o que é isso, solidão?
Nem nas inquietações de quente noite
mas que impera a prateada 
e bela luz do luar
tu te ausentas de mim?
me tornas, pois, assim,
um amante - não de meus possíveis
(e esperados) amores,
mas, de ti, solidão.

Zevall, set./2018)

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

o Aluno e a biblioteca




Alunos em atividade na biblioteca
Unidade Escolar João Leal - Nazaré do Piauí
Fonte: Professor Dias/2018

Existe uma ideia - errada, por sinal - de que aluno não gosta de biblioteca.
Gosta sim. Aliás, o aluno gosta de qualquer tema ou ação que a ele é confiado, deste
que seja orientado, estimulado e até conquistado para esse fim. 
Atividade na biblioteca
Fonte: Prof. Dias/2018

O que o aluno realmente não gosta é da imposição, do pouco estímulo 
e, até, da falta de confiança 
em suas possibilidades e capacidades como um bem particular.
Sem contar que este - o aluno - vê no professor uma figura-exemplo; 
alguém em quem ele aposta suas fichas, desde que confie e acredite.
abramos espaços, pois, para os nossos alunos; deleguemos e despertemos neles
a ação, a dinâmica e as expectativas do fazer acontecer. 
eles podem; eles fazem; eles são capazes.
Aluna em pesquisa
Biblioteca U.E. João Leal - Nazaré do Piauí.
Fonte: Prof.: Dias/2018

Aos Docentes

Se você não entende que alunos são como filhos,
que devemos ensiná-los a dar os primeiros passos,
levantar após cada tombo, 
e que a vida é muito mais do que o caminho de casa à escola,
e que a educação é a coisa mais importante que eles terão,
e que as experiências nesse processo de descobrimento e aquisição
são as coisas mais fantásticas que terão na vida.
Se você, digo, nós não acreditarmos nos nossos alunos,
quem acreditará?
Desculpe-me, caríssimos, não sabeis, aliás, não sabemos
o que é educar, tampouco o que é educação.
Docência não se dá sem discentes.
ouvi certa vez que talvez o único lugar em que nossos discentes
se sentem seguros e amados é na nossa sala de aula.

NETO, Auri. Mensagem inicial. 
Construir Noticias, set., out./2017.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Mais um poema



Poema sexual

Desvirginado.
É assim que me encontro..
Me romperam a membrana
Da decência e da crença no ser humano.
Comeram-me com os olhos do rancor
Desde o momento em que me revelei quem sou
Abusaram de mim quando quiseram
Me penetrar a mente
Ultrajando o pensamento inovador, diferente
E de ousadias.
Me desviginaram...
Quiseram que me mostrasse
Um ser que não sou
E que não devo ser
Pretenderam que aceitasse
O que não posso aceitar:
O arcaísmo; a sujeição ao velho
À falta de ambições de novas coisas e cores
Do saber.
Ainda assim,
Não me vejo aceitando que gozem na minha cara
Fazendo jorrar em mim
O liquido luxurioso de velhos dogmas e sujeições
A clássica corrupção do saber,
E do desamor às mentes carentes
Que acreditam em mim
E me aceito com o meu turbilhão de “diferentes”,
De boas ideias, de fomentação de descobertas.
Tradição e cultura em interação.
Corrompimento e negação se me ofereceram
Descaracterização de mim, também...
Disse que não; sou o  que sou
 – Me deixem apenas ser!
Mesmo assim me defloraram
Usurparam meu direito e minha ânsia de conquista
  não conseguiram
Saciarem-se na minha dignidade
Ou na desistência.
Abatido? Talvez sim; talvez não. – só não desisto!
Ergo-me e convalesço
Me atrelo às panaceias do saber
E nas minhas escolhas na hora de confiar,
De olhar nos olhos
De ser seletivo e celetista.
Cairão ao meu lado e verão que continuo de pé
Que a vergonha não existe
E que a confiança persiste. – me recupero;
Já piso terreno mais firme
Nos meus novos rumos.
As feridas estão a cicatrizar...
Meus detratores?
Esses se mostram moeda falsa
 - Sem coroa.
Masturbaram-se na minha ausência
E pensando em mim;
Mas não ousaram se despir perante mim
Jogando fora as vestimentas da hipocrisia
Assim, não se satisfizeram;  se reprimiram
E se encontram frustrados
E seus desejos não mais afloram.
Sabem que não me gozaram
E que já não podem pagar
Por meus momentos de amor – ganharam um inimigo
Apenas.
Esse se fez forte – não se fez derrotado
E eles, com que se contentam?
Com meus respeitos
– Sou um grande admirador de ignorantes!!!
(Zevall, set./2018).



DE AMIGOS E IRMÃOS

Benito de Paula, certa vez e através de uma de suas músicas,  se propôs a mostrar a um amigo ao qual ele prezava muito, alguns elementos –  ...