segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Não veio em paz

Não veio em paz; não trouxe contigo
palavra amiga, mas de contenda.
Não quis falar de amor, mas aclareou que odeias...
A vida não é feita apenas de encontros;
desencontros acontecem e permeiam o existir do ser humano.
Não há apenas um caminho reto
a ser caminhado; curvas e lombadas fazem parte,
por isso ser difícil, às vezes, caminhar;
por isso os erros
por isso os desamores.
“Não se ponha o Sol...”
O ódio (o teu) jamais será boa herança,
incomoda, te impede de amar, abrir o coração,
sentir as coisas boas da vida.
O amor é o ciclo da existência,
a sabedoria redireciona os passos,
acende o sinal verde
e permite trilhar seguro os teus caminhos.
Não trôpego, de incertezas,
onde impera desconfiança
e te dilacera o peito,
levando teu ser a se extinguir.
Reinventa, expande, bebe do néctar da vida,
sorri ao mundo e proclama “eu sou mais eu”!
Quando o tempo passa e muitos passos são dados
coisas acontecem, corações se encontram
e as emoções, sobras do confronto entre o querer
e o poder se definem
(e esses corações descobrem amor),
coisas estranhas acontecem
e amar não é estranho, mas odiar
obscurece, transtorna, desarrazoa...
Não deves – e não deves mesmo!,
te abater por amores vividos e deixados para trás
“o que passou, passou” – diz uma canção
“você foi...”, uma outra...
Essas coisas, velhas coisas do coração, inda
que marcantes, passaram.
Agora nova vida, novos rumos, novos amores
tudo se fez novo.
Saudade não significa requerer o que passou
ouvir “que ama” não é tomar de volta
o tempo, porém, jamais apagará
a importância  de um grande amor,
mesmo “coisa velha, que passou”,
as coisas velhas passaram...
Não há porque, então, o Sol se por
ante um coração enegrecido, irado,
sem razão.
Olha ao teu derredor, toma o amor que é só teu
ama e te derrama em amor – alegra
 a alma abatida e triste – o amor tem esse poder
de alegrar, rejuvenescer, dar sentido.
Reinventa, sonha, banha na chuva
sorri e colhe flores – e diz pra quem amas
“eu te amo” e oferece as flores colhidas
a esse ser amado – alegra o teu coração
vive a vida, efêmera vida
não dá lugar aos desamores.
Assim, ao cair da tarde, raios multicoloridos
hão que cintilar no horizonte
o Sol descerá em calmaria
e esse coração que é somente teu
receberá a noite em paz e com alegria.

(Zevall, fev./ 2018).

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O encontro “picoense”
O grupo que se reuniu em Picos (PI) a convite do irmão José Brito - fev./2018
Em 1976, em Teresina (PI), realizou-se uma edição do Con-Nordeste, assembleia de jovens batistas nordestinos. Durante 3 ou quatro dias vários jovens vindos de recantos do Nordeste estiveram reunidos na verde Capital, entre outras atividades, louvando ao Senhor Deus. Elias Lopes, Paulo Macêdo, Davi Valentim, João de Deus Sampaio, Antônio Luís Guimarães Missias, Jarbas Gomes, Eisenhower, Melquizedeque, Samuel Assunção, Ivetes (Mota, Campos, Pinheiros), Inácia, Sonia Bonfim, Eliete Fotenele, Ester (à época, Brito), Suely Nascimento, Elen Beckman (não esteve envolvida na Revolta dos Beckmans, ocorrida no Maranhão em tempos coloniais), Dilene Silva, entre tantos outros nomes, possivelmente estiveram ou passaram no arraial do encontro ocorrido em meados de julho, sob a divisa de Mateus 5:16, “assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”.
A maioria desses então jovens, unidos agora em um grupo  - Geração escolhida (fica a sugestão para  que o grupo crie um versículo/divisa, que bem poderia ser  Salmos 133, “Quão bom e quão suave é viverem unidos os irmãos)  - que desde a sua criação tem estado em constante atividade. Se por alguma razão o grupo vier a se dissolver ( o que se espera não aconteça), parafraseando o Salmo 126 “grandes coisas já teria feito por nós, o que muito nos alegra”. Primeiro foi o nosso querido irmão Geiel, nos lençóis maranhense, que com toda a sua alegria, simplicidade e humildade, recebeu uma representação  em sua casa para planejar a organização do evento maior, a acontecer Em Teresina no final de março e início de abril do corrente ano. Em seguida, em fevereiro – dias 04 e 05 – os irmãos José Brito e Ester Pamplona receberam outros irmãos em vossas  residências em Picos – Piauí, momento de singular confraternização entre pessoas “unidas no corpo de Cristo”, conforme preconiza um cântico muito praticado nos idos anos de 1970/80, principalmente nos encontros “socopianos”.
Pelo visto a coisa foi séria pelas bandas picoenses. De acordo com as narrativas da irmã Jucely nascimento, “correspondente free-lance de a rua do mulambo”, não faltaram animação e comida boa. A simpatia dos anfitriões – Zé Brito, a rainha e dr. Milton – foi o ponto alto do encontro. A variedade e riqueza culinária, também. Há quem diga que a correspondente, David Valentim e Sampaio não saíram de volta da mesa. Se o pr. Guimarães estivesse presente, seria a quarta companhia às guloseimas oferecidas ali. Mas não se esperaria atitude diferente por parte dessa família que, ao longo dos anos, tem recebido muitas bênçãos, assim como tem crescido na graça do senhor e, por isso, tem sido sempre “braços abertos e porto seguro” para os irmãos que se acheguem ao município picoense. Nesse sentido vale ressaltar a participação do pr, Mário, membro da família e que muito tem participado e contribuído com a propagação do Evangelho na região. O teor de sua palavra aos que chegaram ali tem sido motivo de repasse àqueles que não puderam ir. Aos que foram a unanimidade em relação ao valor da mensagem se faz notória.
Hora do almoço

Café da manhã em Picos (PI).

Um elo que tem sido mote importante entre os participantes do GE é a música. Existe um grupo  voltado para esse ministério, selecionando, executando e preparando o a material afim de que, em Teresina, musica de qualidade e que realmente louve e engrandeça ao Senhor Jesus seja e esteja presente, marcando a todos os irmãos que ali chegarem. Para os que foram à Picos nos dias 04 e 05/02, houve uma amostra de como será esse ministério no encontro. Todos se sentiram embevecidos com a melodiosa voz do jovem Melki Brito, que se apresentou entre eles, deixando a todos maravilhados.
A Rainha em seu momento musical.
O próximo mini-encontro será em São Luís. Mário será o anfitrião. É possível que a turma de Floriano também se mobilize antes do encontrão. A ideia está em andamento. Que Deus seja a fonte e o motivo de todos os nossos planos e que o encontro seja o meio de nos unir, a cada dia mais, “no corpo de Cristo”.
As meninas que embelezaram o encontro em Picos(PI) - fev./2018

Unidos no corpo de Cristo

Um só coro, um esforço comum
que alimenta, aviva e incendeia,
Oh! Que todos possamos ser um
Afim de que o mundo creia.

Coro
Por tudo que temos ouvido
Vivido, aprendido  e visto 
salvemos o mundo perdido
Unidos no corpo de Cristo.

Sem Jesus o sucesso é nenhum
Com Jesus a vitória se alteia
Oh! Que todos possamos ser um

Afim de que mundo creia.

Poema em qualquer tom

Vida
A vida é livre,.
Leve e solta..
A vida é linda
E mais cheirosa que uma margarida.
A vida alegra a gente, é um presente..
Na vida tem natureza e animais
Que nos alegram muito mais.
A vida nos dá  a família
Que nos ama;
E pra finalizar vou te falar
Que a vida é AMAR!
(Anna Beatriz – 9 anos).


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Jornada Pedagógica

Encontro Pedagógico 2018



“O jovem como sujeito do Ensino Médio” foi o tema debatido na manhã do dia 07/02 na abertura do Encontro Pedagógico de 2018 da Unidade escolar João Leal, em Nazaré do Piauí, jornada que se prolongará por dois dias  envolvendo, além do corpo docente, o grupo gestor/administrativo da escola.
Tudo tranquilo, participativo e descontraído; clima bastante agradável onde a maioria “dialogou” com os temas e as propostas de trabalho do e para o grupo, tudo visando proporcionar ambiente e qualidade de ensino para a clientela estudantil de Ensino Médio da urbe nazarena.
A professora Laíse – coordenadora da escola – com sua maneira cordial e bem-humorada de “puxar as orelhas" dos professores conduziu as dinâmicas e palestras no primeiro dia de atividades; no segundo, a condução da temática Modalidades avaliativas esteve a cargo da professora Nely Pinto, coordenadora do Ceja professora Socorro Mendes, em Floriano – Piauí. A tarde do segundo dia revelou-se um período agradabilíssimo onde temas como clima escolar e protagonismo juvenil, Projeto de vida (paz na escola), Regimento escolar e disciplinar, além de sugestões para o primeiro dia de aula formaram o mote das discussões, algumas bem acaloradas, por sinal.
Após esses estudos a professora Francisca Lima – gestora à frente da Unidade escolar – assumiu o comando para os informes gerais onde, de antemão, agradeceu o empenho de todos no ano anterior e conclamou ao grupo para que se baseiem nas experiências passadas, corrigindo eventuais desacertos e revestindo-se de disposição e alegria ante as responsabilidades do novo ano letivo. Logo a seguir foi apresentada a lotação e, como não poderia deixar de ser, ao final todos foram direcionados à Sala dos Professores para um breakfast vespertino, por sinal, bem merecido após o emaranhado de cálculos e projeções para o ano de 2018.

Quem não esteve presente deixou de se enriquecer; de interação, dinamismo e de um ambiente que só fez bem a todos. Nos planos a serem efetivados e na convivência que se mostrou sadia e promissora. Bom para os nossos alunos! 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Só um (quase) poema

Só um (quase) poema

Saudade,
Por, muitas vezes, afasto-me.
Devo pedir perdão, eu sei
Mas a tristeza impera
E importa também ser perdoada.
Gostar é querer melhor
Isso não consigo.
Se fico longe, mesmo assim sobrecarrego
Não satisfaço teus anseios
Vou à loucura por amar demais
E não descarregar esse amor.
Não posso (e não devo)
Te oferecer estranho amor por gostar
E não te querer sofrendo.
É mesmo estranho
Esse amor meu
Mas sei que amo
Muito, muito além
De forças ou explicações
Essas, não saberia dar
Só sei que amo
Não o amor banal
De novelas ou telenovelas
Não amores ocasionais.
Não raras vezes me pergunto:
O porquê – não me conheces; não sabes o quê e quem sou
Ou a razão de invadir o teu mundo – opaco sem mim, 
 - é verdade, mas onde havia paz
Esta, roubada.
Meus sentimentos
Estranhos sentimentos
Que afrouxam minhas defesas
E que te fazem desprotegido
Estranho
Meu e teu amor
Amo somente, eu sei
Querer mais é tudo que quero
Essa certeza “açucarada”
Dosada em beijos e abraços,
Por calores e espasmos corporais
Que nossos amores
Entre murmúrios e gemidos
Extravasam e se completam.
Agora, dois estranhos amores
O meu e o teu
Amor, carnal, lascivo
Ignorante de regras e pudores
De medos ou abstenções.
Portanto, o meu amor em teu amor
Vai além do que se
Possa explicar.
                        (Celeste, jan./2018).

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Sobre  Ano Novo, eleições e futebol.

Recebemos, pela graça Divina, o ano de 2018 como sempre, cheios de expectativas quando viramos de um para outro ano. Já cruzamos o primeiro terço do mês inicial do Ano Novo e antevemos, com satisfação e muita esperança, os bons acontecimentos porvir no seu decorrer, principalmente dois momentos: a Copa do Mundo na terra dos grandes teóricos do Socialismo – Lenin, Trotsky e Stalin - e as eleições presidenciais em domínios de alguns dos maiores jogadores de futebol do mundo: Pelé, Zico e Romário, dentre tantos outros...
Sobre o ano de 2017 o apóstolo dos gentios, Paulo, dizia que “as coisas velhas já passaram...”1. Transportando esta citação para os dias atuais, é motivo para comemorações as coisas de o ano passado terem saído de cena. Significa, entre outros aspectos, esquecer o sacode de 7x1 da Alemanha e que tanto sufoca os amantes de futebol nas terras em que Pedro Álvares Cabral foi o grande descobridor (???); significa também que esse povo tupiniquim, depois de tantas experiências amargas – pra não dizer ruins – aprendeu a escolher seus candidatos, o que nos leva a crer que nas eleições de outubro próximo a corrupção será extinta do cenário político, vez que nenhum personagem corrupto será reeleito. Isso realmente seria uma boa forma de fazer o ano de 2018 diferente. Livre de tantos caciques craques em promessas não cumpridas; em maneiras ilícitas de adquirir sítios e similares ou de transportar dinheiro das mais variadas formas, inclusive em sungas e adjacentes, o país voltaria à normalidade. Além disso, o juiz Moro poderia cuidar de coisas mais amenas e a Lava Jato seria, em algum tempo, apenas vaga lembrança. Que maravilha!
Melhor que isso basta os meninos tatuados do “professor” Tite, se os bons regentes do futebol e o chaveamento assim o permitirem, devolver os 7x1 aos teutônicos, de preferência em uma semi ou final da copa em campos siberianos. Ambos os resultados – das eleições e da copa – reforçariam o pensamento de um grande estadista de tempos bíblicos que vaticinou: “grandes coisas o Senhor tem feito por nós e por isso estamos alegres”2.
Alegremo-nos, pois, todos. O ano de 2018 está apenas começando e lá no horizonte, bem distante ainda mais alcançável, existe a esperança tanto na consciência de cada  eleitor brasileiro que neste caso, é o senhor maioral de toda e qualquer mudança de cenário político, quanto na agilidade das pernas de todos os jogadores que irão nos representar nas vastidões geladas da grande mãe Rússia. E na tão alardeada competência do Tite, o atual maestro do futebol.
1 – II Cor. 5:17b; 2- Salmos 126:3 (Bíblia Sagrada, Vida Nova, 2013).
Zevall//Jan.2018

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Leitura em 2017

Horas decisivas 22 – O tempo gasto com a leitura e o prazer de uma realização pessoal.








Diferentemente de anos anteriores quando apresentei a relação dos livros lidos durante o ano, apresento a leitura realizada em 2017 na forma de texto, onde o título lido aparece fazendo parte do enredo proposto. A intenção é proporcionar aos leitores do blog uma facilidade na hora de acompanhar os nossos escritos. Um abraço.

“ .  .  .”

Quando cheguei a casa encontrei o ofício na caixa do correio. Entre as diversas correspondências, chamou-me a atenção o timbre oficial do cartório no envelope, o que me levou a refletir se porventura eu teria algum processo em andamento na justiça; não encontrei nada acusador em minha mente e, apesar do cansaço do trabalho e da fadiga de um trânsito que parece sempre estar querendo nos enlouquecer, desisti momentaneamente do merecido e relaxante banho para conhecer o teor contido naquele documento. Precisava saber o que levara o cartório a me procurar.
Era uma convocação. Estava sendo comunicado que faria parte da audiência a realizar-se em dia e local especificado para a escolha dos membros que comporiam o corpo de jurados do caso o Estado contra. . . ou seja, eu faria parte d’ O Júri1 a partir de. . .

De momento pensei tratar-se de uma brincadeira que o destino estava fazendo comigo; é isso! Era apenas Um capricho dos deuses². Durante os próximos seis ou oito meses eu estaria ocupado, ou melhor, ocupadíssimo, com diversas palestras, oficinas e seminários a ser organizados e realizados, inclusive na semana em que ocorreria a sessão para a escolha dos jurados, um processo que por si só se revela estafante, além de um simpósio que ocorreria nos próximos três dias, onde o tema a ser debatido seria Revolução e Cultura³, com uma abordagem de diversos aspectos da política de esquerda nacional. Certamente eu não precisaria de mais esse componente ativo na minha rotina.
Enquanto meditava nesse novo rumo para o qual deveria direcionar os meus projetos vi, pela janela próxima, que nuvens plúmbeas se formavam no céu visível de onde eu me encontrava. Não demorou um instante para que a chuva caísse. Calma em seu início depois, um tremendo temporal. Parecendo até que O céu está caindo4, trazendo consigo todos os dissabores de um mini vendaval. Fiquei algum tempo por ali. Gosto de contemplar chuva. É possível até que se houvera mais amena tomaria um banho. Também gosto disso.
Enquanto observava o pequeno dilúvio que se configurava após a minha janela pus-me a folhear minha agenda – que em nada poder-se-ia comparar à Agenda Icarus5, na esperança de encontrar uma solução “pacífica” para esse novo problema que haveria de enfrentar. É certo que ao olhar por um determinado prisma, esta convocação é algo extremamente honroso, gratificante do ponto de vista de status, mas que demanda tempo algo que definitivamente eu não teria até ao final do ano, daqui a aproximadamente pouco mais de oito meses.

Na escrivaninha ao meu lado se encontrava, ainda, o rascunho da dissertação Combate nas trevas6,, um estudo que levantava a situação da esquerda brasileira e todas as ilusões perdidas durante o regime de exceção, período da vigência da Ditadura Militar no Brasil, iniciada a 1º de abril de 1964 – uma verdadeira Subida para o inferno7, ida sem volta. Essa dissertação seria apresentada – em forma de palestra – daqui a duas semanas.
Sacudi a cabeça várias vezes na tentativa de organizar os pensamentos, por um lado, não ajudou; por outro, me induziu a pensar em Marnie8, pensamento este que me fez enveredar pelas belas paisagens das terras escocesas, quando por lá estivemos em férias durante longo período do último verão passado. As longas festas noturnas baseadas em gaitas de foles e regadas a muito vinho; os banhos de praia ao amanhecer com direito às belas vistas das montanhas da costa da Escócia, banhada pelo sol da manhã o que fez com que ela – Marnie – batizasse esse período de O verão do lobo vermelho9, sendo que até hoje, quando ainda nos encontramos, tento arrancar-lhe o porquê desse apelido.

Lá fora a chuva dava sinais de desistir da tarefa de me convidar a um banho. Já era possível se perceber espaços claros no céu até onde a vista alcançava. Sentindo um pouco de frio procurei algo para beber, ainda com o pensamento voltado para Marnie e tudo o que vivemos nos dias de nossas férias. Boas lembranças, é certo. Mas precisava ir em frente e imediatamente me pus a especular o amanhã – Se houver amanhã10 pra mim, com tantas coisas para serem definidas e organizadas no pouco tempo que me dispunha. Resta, pois, associar-me à calma que reinava lá fora após a parada da chuva para que consiga fixar um ponto de partida para o que tenho que fazer; definir as prioridades, anular o que possa ser anulado e montar um plano de ação para os próximos dias. Sei que para isso terei que realizar um circuito de mudanças de 360º nessa tarefa, o que não será nada fácil, reconheço, em vista aos compromissos assumidos já se encontrarem definidos e confirmados. Então, mãos à obra!
Margareth! Margareth! – esse é o verdadeiro nome de Marnie – bom seria se ela estivesse aqui agora. Tudo então se revelaria não mais fácil, porém aceitável ante a sua capacidade apaziguadora, até mesmo em relação ao tempo e ao espaço; Marnie torna tudo mais confortável...

Lembro-me de quando escalamos – somente ela e eu – o Kota11, um dos mais desafiadores, e porque não dizer o mais perigoso monte a ser escalado nos E.U.A. Tal recordação remete às fatídicas Lembranças da mei-noite12, o momento em que nos aproximamos da parte mais difícil da escalada e ela – Marnie – torceu o tornozelo e tivemos que enfrentar o frio e a escuridão, vez que o ponto escolhido para repouso seria um pouco mais acima. Não fosse suas convicções perseverantes e a lucidez em momentos difíceis, jamais, sem ela, teria conseguido enfrentar semelhante dificuldade.
Penso, e penso outra vez. Por onde andará Margareth, minha adorada Garota do tambor13? – era assim que costumava, em momentos de descontração, chamá-la. Simples alusão a um livro que ela lia quando a conheci. Marnie, minha adorada Marnie, quando encerrarás o teu Exodus14  auto imposto e te voltarás a mim e para mim novamente?
Sinto-me cansado. Pelo dia; pelos acontecimentos; pelo acúmulo de emoções contidas desde as primeiras horas do dia, que para mim começou por volta das 5h00... e até pela perspectiva de me encontrar ocupado nos próximos dias, semanas e meses. Conforta-me, no entanto, o simples fato de estar aqui. Gosto da casa e do espaço que tenho onde moro. É uma casa remanescente dos tempos coloniais, outrora uma fazenda; hoje, um sítio, ainda que se conserve, por ser patrimônio cultural, a Casa grande e (a) senzala15, tendo sido retirados apenas alguns pormenores arquitetônicos e mobiliários e acrescentados tantos outros, a bem da estética e conforto meus e de possíveis convivas. À frente da casa corre um pequeno regato que, por suas águas límpidas e pela calmaria reinante em seu curso, muito me faz lembrar O Rio das flores16, boas recordações do tempo em que pairei por terras lusitanas.
Malgrado o isolamento, a distância de outras moradias e, por conseguinte, o pouco convívio com outras pessoas, gosto muito  do meu lugar pois me identifico com o que tenho e com o que vejo ao derredor; pelo seu valor material e imaterial, ainda que o conjunto possa representar, numa avaliação convencional, Uma fortuna perigosa17, aqui uma mistura eufemística/metafórica que encerra a riqueza tangível e intangível do que fora, em tempos de Brasil-colônia, um dos maiores engenhos de cana-de-açúcar nordestinos. Tal reflexão me traz à mente a quebra, não de O quarto protocolo18 mas de um compromisso assumido em preservar a memória do lugar, para manter viva a sua história, fomentando o conhecimento de como funcionavam as estruturas básicas da construção do que hoje gritamos, de peito aberto, “terra adorada”, ou simplesmente, mas com amor, chamamos Brasil! – Ao menos no sentido de anunciação, tenho falhado nesse compromisso.
Tanto labor me exaspera, mas reconforta e são esses sentimentos que me impelem a conservar esta terra onde O sol também se levanta19. Irei sim, me imbuir de vontade e de “sentimento cívico” – afinal sou cidadão – e até me preparar para compor o quadro de jurados, compromisso este de representar, no bojo de situações diversas e complicadas pelas quais já passei A segunda vitória20, considerando como primeira a conquista e o adquirimento deste belo local transformado em minha moradia.
Assim, resigno-me e esqueço a fadiga – até já torço pra ser um dos membros escolhidos para formar o corpo de jurados naquele dia – e me envolverei nesta nova empreitada. Como disse, já estou conseguindo gostar da ideia; bem mais do que gostaria. Um evento oficial, jurisprudente, com audiência, canais de mídia diversos presentes e os mais variados tipos de pessoas que, de hora pra outra se transformaram em candidatos a jurados que irão decidir destinos.
É como se esse novo fato que se apresenta a mim – o júri – com todas as suas nuances e representações, já estivessem, deste a muito tempo e no que se refere a mim, Escrito nas estrelas21.

Por isso, pois, contem comigo!

Notas:
1 – GRISHAN, John. 1998
2 – SHELDON, Sidney. 1987
3 – IANNI, Otavio. 1983
4 – SHELDON, Sidney. 2000
5 – FOLLET, Ken. 1989
6 – GORENDER, Jacob
7 – GREELEY, Andrew M. 1983
8 – GRAHAN, Winston, 1981
9 – WEST, Morris. 1971
10 – SHELDON, Sidney. 1985
11 – FORSYTHE, Richard. 1998
12 – SHELDON, Sidney. 1980
13 – LE CARRÉ, John. 1983
14 – URIS, Leon. 1981
15 – FREYRE Gilberto. 2006
16 – TAVARES, Miguel de Sousa. 2008
17 – FOLLET, Ken. 1993
18 – FORSHYTH, Frederick. 1984
19 – HERMINGWAY, Ernest. 1981
20 – WEST, Morris. 1985
21 – SHELDON, Sidney.  1992
22 – TOUGIAS, Michael J.; SHERMAN, Casey. 2016.







DE AMIGOS E IRMÃOS

Benito de Paula, certa vez e através de uma de suas músicas,  se propôs a mostrar a um amigo ao qual ele prezava muito, alguns elementos –  ...