terça-feira, 22 de novembro de 2016

Porque Gosto de ti

Porque gosto de ti
Desde os tempos mais remotos as pessoas manifestam o seu amor ou, ainda, a sua forma de amar à sua “cara metade”. É claro que existem motivações a favor e contrarias a essas manifestações, o que revela um modo obsoleto de encarar os sentimentos e suas necessidades expressivas.
Mas existem pessoas que não “tão nem aí” para o que os outros pensam e fazem as coisas “acontecerem”. É o que fez K.S.C., quando relacionou o que denominou de 183 (cento e oitenta e três) motivos de amor pelo seu parceiro. Vejamos:

“Sempre me perguntas por que gosto de ti...Tenho respondido quase sempre que amor não se explica, mas, a fim de, senão remir ao menos reduzir tuas dúvidas e preocupações quanto aos meus sentimentos, resolvi de modo pretensioso listar 183 causas, motivos, razões e circunstâncias pelas quais gosto de ti..
Gosto-te tanto e com tal zelo (com a permissão do poeta) por que me fazes...
Ser melhor1,
Sorrir2,
Pensar3,
Odiar (quando sinto ciúmes)4,
Amar5,
Querer (sentir ciúmes)6,
Chorar (quando sinto ciúmes)7,
Contemplar8,
Aprender9,
Ensinar10,
Duvidar11,
Acreditar12,
Dormir13,
Acordar (bem, com os teus beijos)14,
Celebrar (a vida)15,
Cantar (ainda que em tons insuportavelmente desafinados)16,
Dançar (quando não estás presente)17,
Descobrir18,
Ler19,
Assistir (a bons filmes)20,
Ouvir (tuas histórias)21,
Ouvir (boa música)22,
Compreender (aos outros e a mim mesma)23,
Desnudar (meus traumas pessoais)24,
Apreciar (meu corpo)25,
Ficar nua (literalmente)26,
Gozar (a vida, as belezas)27,
Desprender-me (das amarras pessoais)28,
Prender-me (ao que vale a pena)29,
Quebrar (velhos moldes)30,
Gozar (literalmente)31,
Querer (a ti, cada vez mais)32,
Deixar (me levar pela vida)33,
Abandonar (rancores passados)34,
Romper (com o que não enobrece)35,
Desejar (a ti incessantemente)36,
Viajar (na doce melodia da tua voz)37,
Protegida (no calor dos teus braços)38,
Bela (nas tuas descrições...)39,
Confiável (para ser tua confidente)40,
(Ser) livre41,
Apaixonada42,
Evocar (o melhor de mim)43,
Clamar (por tua presença)44,
Doar (meus sentimentos)45,
Destemida46,
Mulher47,
Menina (encantada com teus contos)48,
Sofrer (se há desencontros)49,
Sonhar50,
Beijar (os melhores beijos)51,
Discutir (as minhas piores teorias)52,
Comer (os melhores manjares)53,
Poetisa (ao menos pretensão)54,
Enlouquecer (quando distante)55,
Renascer (em meio às minhas turbulências)56,
Arrepiar (com teu toque)57,
Embevecida (com a tua doação)58,
Tremer59,
Vicejante60,
Lasciva61,
Enrubescer (quando cometo gafes)62,
Calma (nas aflições)63,
Aflita (na tua calmaria)64,
Zelar (pelo nosso sentimento)65,
Crescer (quando na ponta do pé pra te alcançar)66,
Estimada (apesar das minhas limitações)67,
Humana (vencendo a insensibilidade)68,
Escrever (apesar dos receios)69,
Curtir (simplesmente)70,
Sangrar (quando ausente)71,
Vaguear (os pensamentos)72,
Submetida (aos teus caprichos)73,
Amar (mais e mais....infinitamente)74,
Pulsar75,
Resiliente76,
Ser77,
Beber (Stella Artois)78,
Acender (paixão)79,
Avivar (os meus instintos)80,
Descrever (em narrativa, os meus sentimentos)81,
Apoiada (nos teus sentimentos)82,
Cozinhar (ainda que desconfies)83,
(ter) Atitudes84,
Orar (pra que Deus te guarde sempre)85,
Inquieta (com a tua partida)86,
(revelar) Manhas87,
Destruir (manias)88,
Florescer (desde que te encontrei)89,
Partilhar (o meu dia)90,
Narradora (de histórias pouco interessantes)91,
Ver (o invisível)92,
Correr (pra te abrir a porta)93,
Palpitar (quando me faltas)94,
Desmoronar (quando te sinto triste)95,
Suar (nos nossos exercícios particulares)96,
Delirar (no roço da tua língua)97,
                                                           Suspirar (no teu abraço forte)98,
Realizada (com o teu sexo)99,
Grata (à Vida que nos apresentou)100,
Lamentar (o modo grosseiro de certas ocasiões)101,
Lutar (contra tabus imaginários)102,
Experimentar (o elixir dos deuses...Budweiser)103,
Viver (novas experiências)104,
Confiar (te fazer meu confidente)105,
Praguejar (contra a distância que nos separa)106,
Idealizar (...)107,
“Gelar” (nas tensões)108,
Cavalgar (no teu corpo)109,
(ter) Borboletas no estômago110,
Convicta (das minhas escolhas)111,
Temer (tua partida)112,
(ter) Pressa (para viver-te)113,
Pecadora114,
Santa (imaginário)115,
Dona (dos teus atributos)116,
Dama117,
Puta118,
(livre das) Convenções119,
Presenteada (com todas as tuas ações)120,
Retrucar (contra o insuportável tricolor)121,
Advogada (do rubro-negro)122,
Reavaliar (minhas inclinações políticas)123,
Esperar (por melhores dias)124,
Esquecer (a dieta)125,
Aceitar (o bucho que se instalou)126,
Saborear (um bom frito)127,
Companhia (no café sagrado de toda manhã)128,
Aguardar (com ansiedade a ligação de toda tarde)129,
Impressionada (com teu ouvido musical)130,
Lembrar (cada gesto que as tuas mãos fazem)131,
Estremecer (com a tua pegada)132,
(incessantemente no) Cio133,
Aprendiz (no sexo)134,
Reverenciar (tuas ideias)135,
Insone (depois de experimentar noites ao teu lado)136,
Louca137,
Sensata138,
Orgulhosa (por que estás comigo)139,
(tua) Bruxa140,
Selvagem (querendo devorar-te)141,
Forte142,
(tua) Coroa143,
Insana (ao revelar-te os meus desejos mais absurdos)144,
(sentir) Desejada145,
Flutuar (na melodia da tua voz)146,
Delirar (quando ganho teu sorriso)147,
Incendiar (quando me tomas)148,
Exagerada (jogada aos teus pés...)149,
Primavera150,
Aquarela de cores151,
Viçosos campos152,
Fantasia153,
Real154,
Presente em tua vida155,
Oceano156,
Sol157,
Chuva158,
Breve159,
Eterna160,
*Etérea161,
Segredar (os sonhos mais insanos)161,
Drástica (nas decisões incompreendidas)162,
Relâmpago (iluminada pelo teu amor)163,
Sombra164,
Sábia (ao compartilhar o teu saber comigo)165,
Enciumada (quando observas outros detalhes, que não os meus)166,
Singrar (ao invés de mares, sonhos)167,
Solúvel (dissolvo mesmo nas tuas mãos)168,
Enfeitiçada169,
Brisa170,
Espuma171,
Tempestade172,
Suave173,
Brusca174,
Dengosa175,
Flor176,
Espinhos (quando te revelo meus defeitos)177,
Companhia178,
Bem179,
Amante (amada)180,
Namorada181,
Inteira182,
Tua183...”.

Para Pensar I

Existem coisas e situações na nossa existência que merecem ser pensadas. O mundo, o ser humano, a vida por si somente, tudo e todos estão cercados (as) de mistérios e oportunidades par reflexão. O poema, entre tantos outros instrumentos, nos serve de condutor para essa atitude reflexiva. 
Desse modo, os seguimentos a seguir – quatro no total – tenciona nos despertar para a beleza das descobertas. Que consigamos ver o nosso derredor de maneira mais dinâmica, interativa e produtora de experiências. 

No Corpo
“De que vale tentar reconstruir as palavras
O que o vento levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares?
O sonho na boca, o incêndio na cama,
O apelo na noite
Agora são apenas esta
Contração (este clarão)
De maxilar dentro do rosto.
O poema é presente.”

GULLAR, Ferreira. Antologia Poética.
- Rio de Janeiro: Fontana e Summus, 1977.


Para Pensar II

As dores do Mundo

“Sinto bem fundo
Todas as dores do mundo.

Só que meu poema
Não conseguiu tocar
Em feridas maiores.
Abro os jornais
E leio e choro e me arrepio
Com a fome,
Com a guerra,
Com a aids,
Com a violência,
Com a destruição
Do verde e da vida.

Tento escrever,
Mas sai um poema impotente.
Fico pensando:
As dores do mundo
Pedem uma canção
Ou exigem ação?”

JOSÉ, Elias. Cantigas de
Adolescer. – São Paulo: Atual, 1992


Para Pensar III

Sinal Fechado

“Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
                                      Pegar meu lugar no futuro, e você?

VIOLA, Paulinho da. LP foi um rio
Que passou.




Para pensar IV

Tente outra vez
Raul Seixas


Veja!
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!

Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!

Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta

E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça aguenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!

Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!

Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!

Tente outra vez!
Humrum
Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!

Composição: Paulo Coelho / Raul Seixas




quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O homem da terra



Uma figura que quase tem desaparecido, no Brasil após as reformas sociais e as oportunidades dadas àqueles considerados de baixa renda, é a do lavrador. As dificuldades inerentes a quem vive no campo e depende das benesses naturais para sobreviver unidas à vontade de “melhorar de vida” na cidade grande tem feito com que muitos abandonem suas choupanas no interior – a maior incidência, sabe-se, é no Nordeste brasileiro, mas não exclusividade – e passem a sonhar e a sofrer em mundos desconhecidos, o mundo urbano.
Mas o lavrador que ficou persevera. Enfrenta as dificuldades da sua labuta, olhando para o céu constantemente à espera da chuva, sua aliada e sócia nos mistérios da plantação e colheita. Este é sofrido e carrega as marcas do sofrimento no seu corpo. É deste homem e para este que o poema O lavrador  fala e se dirige, louvando-o e o fazendo importante até aos olhos de Deus. Belo poema, que merece ser conhecido por aqueles que ainda não o conheciam. Eu sou um destes – que não conheciam O Lavrador.
Zeval Buemma
Floriano (PI), 09/nov./2016

O Lavrador
A tua mão é dura como a casca de arvore.
Ríspida e grossa como um cacto.

Teu aperto de mão machuca a mão celeste,
de tão agreste – e naturalmente por falta de tato.
A tua mão sabe o segredo
da lua e da floresta em seu explícito contato
com as leis ocultas da germinação.

Mão monstruosa, de tão áspera,
incapaz de qualquer carícia, órfã de sutileza,
indiferente ao cetim e ao veludo.

 Mão colorida,
em que moram os meses
com veias que mais parecem cipós encordoados;
com o dorso coberto de musgo
e em cuja palma, e em forma de M (que não quer dizer morte)
se encontram, ainda, os sinais fundos
dos quatro rios que existiram no paraíso terreal.

Mão aumentada pela santidade do trabalho.
suja de terra e enorme, mas principalmente enorme
como a estar sempre num primeiro plano
na sucessão das coisas – frutos, árvores, lavouras –
que saem dela ao fim de cada ano.

Se Cristo regressar, ó lavrador, não é preciso que lhes mostres
como eu, as feridas do corpo e do pensamento.
Nem as condecorações faiscantes que os outros ostentam no peito.

Mostra-lhe a mão calejada.
Mostra-lhe a mão calejada,
enorme, a escorrer seiva, sol e orvalho.
E os anjos virão vê-la e por vê-la tão grossa e dura
farão com que na palma de tua mão nasçam lírios.
E a exibirão no céu, como objeto desconhecido, rústico e maltratado.

E Deus colocará uma foice de prata
em tua mão grossa, ríspida e acostumada ao trato da terra terrível.
E te dirá:
Trabalharás agora no meu campo
orvalhado de estrelas
e dormirás sob a árvore da noite.

Cassiano Ricardo
In: MARINO, Elda Randoli.
Estudos de português para o 2º grau

Ed. do Brasil, 1980 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Carpe Diem

Gritarei ao mundo
Mundo que segue veloz, inexorável
Diariamente – vinte e quatro horas
Multiplicando dias em semanas
Meses, anos e tantos outros tempos.
Mundo corrente que carrega consigo sonhos
Sonhos de muitas gentes
E os meus sonhos,
Não os materializo
Os tempos correm e não deixam.
Gritarei os meus anseios
A vontade de viver a beleza da vida
Tão fugaz que não espera acontecer
O que não faço hoje
Talvez não faça amanhã.
É a incerteza, o correr do tempo
 – não sei se viverei amanhã!
Por isso gritarei pelo amor
A tudo, ao amor, à vida e à vontade de viver
Marcar na marca do tempo
A minha passagem, não viver em vão
Gritarei que quero sorrir, ver, sonhar
E amar gente e as gentes
Correr nos campos, banhar nos rios
Subir nos montes
Olhar a lua em noites de luar
Aquecer-me ao calor do sol
Caminhar nos dias chuvosos
Dizer à vida: tu és bela!
Antes que volte ao pó
Porque sou (somos) pó
E ao pó me reverterei
Ao final de tudo.
Mas o estar aqui basta
Faz-me ser se eu quiser
Assim, não esperarei cair do céu
Nem deixarei de seguir
Se houver alguma pedra no caminho.
Sigo em frente e olho os horizontes a cada dia
Removerei as pedras dos caminhos
Entregando-me aos meus sonhos
De querer viver
Para me agarrar à vida
Aproveitando cada e todos os instantes
Antes de voltar ao pó [...].
Eisen
Flo (PI), 06/11/16


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Domingos Fernandes Calabar

Calabar: vilão ou herói?

            Nossa historiografia – a do Brasil, com sua centralidade no pensamento e interesse europeu – se encontra povoada de heróis e vilões. Aos heróis destinamos o louro dos feitos “inesquecíveis”; louvamo-los. Aos vilões, resta-nos o expurgo, o anátema. É claro que em algum momento iria aparecer uma inversão de pensamentos.
Entre os vários vilões que ocuparam e ainda ocupam o imaginário do povo e o cenário historiográfico brasileiro um nome é merecedor de nossa atenção justamente por ter "poucos holofotes" voltados para a sua participação na história. Seu nome: Domingos Fernandes Calabar.
Pela sua passagem na historia inicial do Brasil seu sobrenome virou sinônimo de traidor; dedo-duro. De alguém que nega uma causa ou origem. Tudo pela sua participação em um momento que diz respeito aos holandeses. Veja-se:
Nascido em Porto Calvo, Alagoas, Domingos Fernandes Calabar, um mulato, era, segundo Mota; Braick (2005), “perito conhecedor das terras onde se desenvolvia a guerra brasílica – as guerrilhas contra os holandeses (p.63)”. Para Resende; Didier (2001, p. 219) ele – Calabar – era um contrabandista que prestara auxilio inestimável [...] para o avanço das tropas flamengas.
A Companhia das Índias Ocidentais ou West Indische Companie (WIC) invadiu a Bahia, em 1624, e Pernambuco, em 1630. Causou danos e sofreu danos nessas campanhas. Não sabemos ao certo até que ponto Calabar ajudou aos holandeses. Os anais históricos afirmam que ajudou com informações e logística, vez que era conhecedor da região. O que sabemos é que ele virou, para os brasileiros, um “calabar”, um traidor. O continuar da história irá revelar que Matias de Albuquerque o prendeu e mandou executá-lo, o que para Evaldo Cabral de Mello (in.: BOULOS Jr., 2013, p. 89) foi “ queima de arquivo”, pois ele “sabia demais”.
Segundo Peixoto (2005) “[...] traição é uma atitude cotidiana”...; traímos nosso (a) companheiro (a), nosso (a) amigo (a), nossos patrões, nossos professores. Só não assumimos. Os motivos são sempre justificáveis para nós; nunca para o traído.
Como cada um de nós encara a participação de Domingos Fernandes Calabar neste segmento da história nacional é muito particular, pessoal. Como brasileiros é natural apontar-lhe o dedo acusador. Lembrar-lhe a culpa. Nossa história oficial induz a essa atitude.
No entanto, para os holandeses, segundo Peixoto (IBID) “Calabar é um herói. Na verdade, ao contrário de muito delator ou mercenário, Calabar fez uma opção (...)”.
Fazemos opções constantemente. Nossas escolhas incluem a escola em que nossos filhos deverão estudar, a roupa que queremos vestir, o restaurante onde iremos jantar. Escolhemos o time para o qual iremos torcer (e brigar por ele), a marca e a cor do carro que queremos comprar. Em todos esses aspectos do nosso dia a dia temos diversas opções. Temos opção para escolher até o político que irá nos representar nas várias esferas institucionais. e muitas vezes erramos nessa escolha. Escolhemos voltar ao regime democrático e, depois da experiência com José Sarney, Votamos em Fernando Collor de Melo.
E depois de uma “era” Collor,  veio o PT. A Seguir,  Eduardo Cunha ..., Só não sabemos qual será a opção futura.
Agora, ao longo das nossas escolhas e opções, como vemos a participação, na história, de Domingos Fernandes Calabar?
Por Zeval Buemma.
Em 01/nov./2016

Referencias
MOTA, Myriam Becho; Braick, Patrícia Ramos. História; das cavernas ao terceiro milênio. – 1ª ed. – São Paulo: Moderna, 2005.
BOULOS Jr., Alfredo. História sociedade & cidadania. – 1ª ed. – São Paulo: FTD, 2013.

REZENDE, Antônio Paulo; DIDIER, Maria Thereza. Rumos da história: história geral e do Brasil. Vol. Único. – São Paulo: Atual, 2001

As belezas da Serra (da Capivara)

Retornei de São Paulo em 2013, mais precisamente no dia 13 de março, depois de um período de 10 (dez) anos fora de Floriano (PI). Quando ainda estava lá, ao atender uma ligação de Isabelle O’meara – Pessoa singular na relação comigo, os motivos são particulares – fui interpelado sobre em que lugar me encontrava naquele momento. Respondi que estava em uma praça lendo um livro, o que lhe causou estranheza, pois, segundo ela, quando me ligava em um feriado (e neste dia era) eu estava sempre em um parque, o que representava uma afirmação verdadeira. Este dia eu tinha decidido por um programa diferente.
            Durante o período em que passei na terra dos “Bandeirantes” conheci e estive em vários parques. Gostava deles. Parque da Água Branca, Trianon, Villa Lobos, Parque do Rizzo (em Embu das Artes), proximidades do Pico do Jaraguá, dentre outros. Estive na Serra da Juréia, na região de Peruíbe e almocei certo dia em uma comemoração do dia dos professores (2009) no Velhão, um restaurante caseiro que se localiza na subida da Serra da Cantareira, acesso pela Cachoeirinha, zona norte de São Paulo. Gosto do ambiente que os parques oferecem. Muito natural e me permitem abstrair questões várias que outros ambientes, às vezes, não te permitem.
            Recentemente um grupo formado por professores, alunos e simpatizantes da Serra da Capivara, localizada no município piauiense de São Raimundo Nonato, se reuniu na Praça da Matriz (Dr. Sebastião Martins) em Floriano para manifestar-se em favor da causa daquele parque. São questões diversas que envolvem o cuidado a ser dispensado a este patrimônio reconhecidamente histórico e que não tem a atenção merecida por parte daqueles que deveriam oferecer suporte para a sua manutenção e continuidade.
            Quem já foi ao parque da Serra da Capivara sabe da beleza que se encontra em toda a sua área. Não se trata apenas de vestígios da chegada do homem nas Américas fato que, entre outras razões, parece-nos que causa ciúmes em algumas comunidades acadêmicas devido à sua localização. Espero que tal não seja “conjunto verdade”. Que eu esteja apenas “abstraindo” fora do parque.
            Muitos, porem, nunca foram ao parque. Só ouviram falar. Principalmente aqueles de terras distantes que vez ou outra, através do livro didático ou de panfletos turísticos ou, ainda de um documentário de exaltação ou de descaso para tão belo ambiente natural. Para estes, selecionamos algumas fotos de exuberante beleza do Parque Nacional da Serra da Capivara. Através destas é possível uma ideia do que se encontra ali. Se em outras terras “tem palmeiras onde canta o sabiá”, a Serra também tem palmeiras. Se em algum lugar “as aves gorjeiam” no parque da Serra as aves realizam verdadeiros festivais de cantos e cores. Vale a pena, por esses e outros motivos, conhecer este lugar.

Por Zeval Buemma.
Em 31/out./2016 



Foto: Dassilva
A trilha majestosa realçada pela luz do astro-rei.

Foto: Dassilva
Cadeia rochosa da Serra da Capivara

Foto: Dassilva


Foto: Dassilva
Sinalização no Parque Nacional Serra da Capivara

Foto: Dassilva
O Mandacaru, planta símbolo do sertão nordestino.

Foto: Dassilva
Sinalização das trilhas.

Foto: Dassilva
"Antiga" passarela preservada e adaptada à novas funções.

Foto: Dassilva
Pedra Furada, cartão postal do Parque Nacional Serra da Capivara.

DE AMIGOS E IRMÃOS

Benito de Paula, certa vez e através de uma de suas músicas,  se propôs a mostrar a um amigo ao qual ele prezava muito, alguns elementos –  ...